Cirurgias por vídeo
Como é feita a sua cirurgia
Ilustrações simples para entender, antes da consulta, como são feitas as cirurgias por videolaparoscopia mais comuns no meu dia a dia.
O que é a videolaparoscopia
- Em vez de um corte grande, são feitas pequenas incisões, de 5 a 12 milímetros.
- Com o paciente sob anestesia geral, o abdome é preenchido com gás carbônico, o que cria espaço para enxergar e operar.
- A câmera transmite a imagem ampliada para um monitor de alta definição, e as pinças entram pelas outras incisões.
- Ao final, o gás é retirado e as incisões são fechadas. Uma dor no ombro nos primeiros dias, causada pelo gás, é comum e passa sozinha.
- A cirurgia robótica segue o mesmo princípio, com braços robóticos controlados pelo cirurgião em um console.
- Colectomia
- Retossigmoidectomia
- Gastrectomia
- Hepatectomia
- Histerectomia
- Ooforectomia
- Antes e depois
- Riscos e alertas
- Perguntas
- Cólon direito (retirado)
- Final do intestino delgado (retirado)
- Restante do cólon (permanece)
- parte retirada
- linha de corte
- câmera (umbigo)
- pequenas incisões, de 5 a 12 mm
- incisão um pouco maior, por onde a peça é retirada
- órgãos vizinhos, só para orientação
Por videolaparoscopia
Colectomia
Retirada de uma parte do intestino grosso
A colectomia retira o trecho doente do intestino grosso (cólon). A ilustração mostra a colectomia direita, que retira o lado direito do cólon e o final do intestino delgado. Quando a doença está do lado esquerdo, a lógica é a mesma; muda o trecho retirado.
Quando é indicada
- Câncer de cólon.
- Pólipos que não podem ser retirados pela colonoscopia.
- Algumas doenças inflamatórias e complicações da diverticulite.
Como é feita
- A câmera entra pelo umbigo e as pinças pelas outras pequenas incisões.
- Os vasos que nutrem o trecho doente são identificados e fechados. Junto com eles saem os gânglios linfáticos da região, analisados depois para definir o estágio do câncer.
- O trecho é liberado e retirado por uma incisão pequena junto ao umbigo, protegida por uma película plástica.
- As duas pontas do intestino são unidas (anastomose), e o trânsito intestinal é restabelecido.
Riscos específicos
Vazamento na emenda do intestino (fístula), complicação incomum que é vigiada nos primeiros dias; intestino mais lento no início, até voltar a funcionar. Os riscos gerais de toda cirurgia estão mais abaixo.
Bom saber
A alimentação e a caminhada costumam ser retomadas cedo, seguindo protocolos de recuperação acelerada. O tempo de internação varia de paciente para paciente.
- Sigmoide e parte alta do reto (retirados)
- Reto (permanece)
- Cólon descendente (permanece)
- parte retirada
- linha de corte
- câmera (umbigo)
- pequenas incisões, de 5 a 12 mm
- incisão um pouco maior, por onde a peça é retirada
- órgãos vizinhos, só para orientação
Por videolaparoscopia
Retossigmoidectomia
Retirada do sigmoide e da parte alta do reto
O sigmoide é a última curva do intestino grosso antes do reto. Nesta cirurgia, ele é retirado junto com a parte alta do reto.
Quando é indicada
- Câncer do sigmoide e da parte alta do reto.
- Diverticulite de repetição ou complicada.
- Endometriose profunda que atinge o intestino.
Como é feita
- A câmera entra pelo umbigo e as pinças por incisões laterais. A incisão do lado direito recebe o grampeador que corta e fecha o intestino.
- Os vasos e os gânglios linfáticos da região são retirados em bloco com o intestino.
- O segmento sai por uma incisão pequena logo acima do púbis, na linha do biquíni.
- O intestino é reconectado ao reto com um grampeador circular introduzido pelo ânus, sem necessidade de outro corte.
Riscos específicos
Vazamento na emenda; evacuações mais frequentes ou urgentes nos primeiros meses, que costumam melhorar com o tempo. Os riscos gerais de toda cirurgia estão mais abaixo.
Bom saber
Em alguns casos, principalmente quando a emenda fica muito baixa, é feita uma ileostomia temporária para protegê-la. Ela é fechada em uma cirurgia menor, semanas ou meses depois.
- Esôfago
- Parte de cima do estômago (permanece)
- Parte de baixo do estômago (retirada)
- Duodeno, início do intestino delgado
- parte retirada
- linha de corte
- câmera (umbigo)
- pequenas incisões, de 5 a 12 mm
- incisão um pouco maior, por onde a peça é retirada
- órgãos vizinhos, só para orientação
Por videolaparoscopia
Gastrectomia
Retirada de parte ou de todo o estômago
Na gastrectomia subtotal, mostrada na ilustração, retira-se a parte de baixo do estômago. Na gastrectomia total, o estômago inteiro.
Quando é indicada
- Câncer de estômago, principalmente.
- Alguns outros tumores do estômago, como o GIST.
Como é feita
- As incisões ficam na parte de cima do abdome. Uma delas serve para afastar o fígado com delicadeza.
- Os gânglios linfáticos ao redor do estômago são retirados (linfadenectomia), etapa importante no tratamento do câncer.
- O estômago é cortado e fechado com grampeadores.
- A reconstrução liga o estômago que ficou (ou o esôfago, na gastrectomia total) ao intestino delgado, para o alimento seguir seu caminho.
- A peça é retirada por uma incisão pequena.
Riscos específicos
Vazamento na emenda; sensação de estômago cheio com pouca comida e, às vezes, mal-estar depois de doces ou refeições grandes (síndrome de dumping), que melhora com ajustes na alimentação. Pode ser necessário repor vitamina B12. Os riscos gerais de toda cirurgia estão mais abaixo.
Bom saber
A alimentação é reintroduzida aos poucos. Refeições menores e mais frequentes e o acompanhamento com nutricionista ajudam na adaptação.
- Segmento do fígado com a lesão (retirado)
- Restante do fígado (permanece e se regenera)
- Vesícula biliar
- parte retirada
- linha de corte
- câmera (umbigo)
- pequenas incisões, de 5 a 12 mm
- incisão um pouco maior, por onde a peça é retirada
- órgãos vizinhos, só para orientação
Por videolaparoscopia
Hepatectomia
Retirada de parte do fígado
A hepatectomia retira a parte do fígado onde está a lesão. O fígado tem uma capacidade especial de se regenerar: nas semanas seguintes, a parte que fica cresce e mantém a função.
Quando é indicada
- Tumores que começam no próprio fígado.
- Metástases no fígado, por exemplo de câncer de intestino.
- Alguns tumores benignos.
Como é feita
- As incisões ficam abaixo das costelas, principalmente do lado direito.
- Um ultrassom usado dentro do abdome localiza o tumor e os vasos com precisão.
- O fígado é dividido com aparelhos que selam os pequenos vasos e canais de bile.
- A peça é colocada em um saco protetor e retirada por uma incisão pequena, em geral logo acima do púbis.
Riscos específicos
Vazamento de bile; raramente, quando a parte retirada é grande, o fígado que fica demora a assumir toda a função. Por isso o volume do fígado é calculado nos exames antes da cirurgia. Os riscos gerais de toda cirurgia estão mais abaixo.
Bom saber
Nem toda hepatectomia pode ser feita por vídeo: depende do tamanho e da posição do tumor. Isso é avaliado com exames de imagem antes da cirurgia.
- Útero e colo do útero (retirados)
- Trompas (retiradas)
- Ovários (podem ser preservados, conforme o caso)
- Saída do útero pela vagina
- parte retirada
- linha de corte
- câmera (umbigo)
- pequenas incisões, de 5 a 12 mm
- o útero é retirado pela vagina
- órgãos vizinhos, só para orientação
Por videolaparoscopia
Histerectomia
Retirada do útero
A histerectomia retira o útero e o colo do útero, em geral junto com as trompas. Conforme a doença, também podem ser retirados os ovários e gânglios linfáticos.
Quando é indicada
- Câncer de endométrio (o revestimento interno do útero).
- Lesões pré-malignas do útero.
- Miomas e outras doenças benignas que não responderam a outros tratamentos.
Como é feita
- A câmera entra pelo umbigo e as pinças por incisões na parte baixa do abdome.
- Os vasos do útero são fechados com instrumentos de selagem.
- O útero é separado da vagina e retirado pelo canal vaginal, sem incisão maior na barriga.
- A parte de cima da vagina é fechada com pontos, por dentro.
Riscos específicos
Lesão da bexiga ou dos ureteres (canais que levam a urina dos rins à bexiga), incomum. Depois da cirurgia não há mais menstruação nem possibilidade de gravidez. Os riscos gerais de toda cirurgia estão mais abaixo.
Bom saber
As atividades do dia a dia voltam cedo. Relações sexuais e esforço físico são liberados depois da cicatrização interna, conforme orientação médica.
- Ovário e trompa (retirados)
- Útero (permanece)
- Ovário do outro lado (permanece)
- parte retirada
- linha de corte
- câmera no umbigo; por ali o ovário sai, dentro de um saco protetor
- pequenas incisões, de 5 a 12 mm
- órgãos vizinhos, só para orientação
Por videolaparoscopia
Ooforectomia
Retirada do ovário
A ooforectomia retira um ou os dois ovários, geralmente junto com a trompa do mesmo lado (salpingo-ooforectomia).
Quando é indicada
- Cistos ou tumores de ovário.
- Redução de risco em mulheres com alteração genética de alto risco, como nos genes BRCA1 e BRCA2.
- Parte do tratamento de alguns cânceres.
Como é feita
- A câmera entra pelo umbigo e duas pinças pela parte baixa do abdome.
- Os vasos do ovário são fechados e o ovário é liberado.
- Ele é colocado em um saco protetor, para não ter contato com o restante do abdome, e retirado pela incisão do umbigo.
Riscos específicos
Lesão de órgãos vizinhos, incomum. Se os dois ovários forem retirados antes da menopausa, aparecem os sintomas da menopausa, e a saúde dos ossos e do coração passa a ser acompanhada. Os riscos gerais de toda cirurgia estão mais abaixo.
Bom saber
A recuperação costuma ser rápida. Quando os dois ovários são retirados antes da menopausa, a menopausa se inicia; os cuidados com isso são conversados antes da cirurgia.
Antes, durante e depois
O caminho é parecido para todas essas cirurgias. Os detalhes do seu caso são combinados na consulta.
Antes
- Consulta, exames e avaliação com o anestesista.
- Informe todos os remédios que você usa, principalmente os que “afinam o sangue”, os de diabetes e os remédios para emagrecer injetáveis (como semaglutida e tirzepatida). Alguns precisam ser suspensos dias antes.
- Se você fuma, parar ajuda na cicatrização e na recuperação dos pulmões.
- Siga as orientações de jejum e, quando indicado, de preparo do intestino.
No hospital
- A cirurgia é feita sob anestesia geral; a duração depende do procedimento.
- Levantar e caminhar cedo, muitas vezes no mesmo dia ou no dia seguinte, ajuda a prevenir trombose e acelera a recuperação.
- A alimentação volta aos poucos, conforme a cirurgia.
- Exercícios de respiração ajudam a proteger os pulmões.
Em casa
- Os curativos são simples; o banho é liberado conforme orientação.
- Evite carregar peso nas primeiras semanas.
- Dirija só quando não estiver usando remédios que dão sono e conseguir frear sem dor.
- O resultado da análise da peça retirada costuma sair em algumas semanas e é conversado no retorno.
Riscos e sinais de alerta
Toda cirurgia tem riscos. Eles variam com o tipo de cirurgia e com a saúde de cada pessoa, e são conversados antes, na consulta.
Riscos gerais de qualquer cirurgia
- Sangramento.
- Infecção da incisão ou dentro do abdome.
- Trombose (coágulo nas veias das pernas), prevenida com caminhada precoce e, quando indicado, medicação.
- Reações à anestesia.
- Lesão de órgãos vizinhos, incomum.
- Necessidade de converter para cirurgia aberta. Quando acontece, é uma decisão tomada para a segurança do paciente, não uma falha.
Procure atendimento se tiver
- Febre de 38 °C ou mais.
- Dor que piora em vez de melhorar, ou que não passa com os remédios receitados.
- Vermelhidão, inchaço, calor ou pus em alguma incisão.
- Náuseas ou vômitos que não param, ou barriga muito estufada.
- Sangramento em quantidade pela incisão, nas fezes ou pela vagina.
- Falta de ar, dor no peito ou dor e inchaço em uma perna.
Em caso de falta de ar ou dor no peito, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).
Perguntas para levar à consulta
Anote suas dúvidas. Estas costumam ajudar:
- Qual é o objetivo da cirurgia no meu caso?
- Posso ser operado por vídeo ou por robótica? Qual a chance de precisar abrir?
- Vou precisar de bolsa (estomia)? Se sim, por quanto tempo?
- Quanto tempo devo ficar internado e quando volto às minhas atividades?
- Vou precisar de outro tratamento depois, como quimioterapia?
- Como será o acompanhamento depois da cirurgia?
Importante: as ilustrações são esquemas simplificados. O número e a posição das incisões podem mudar de acordo com cada paciente, e nem todos os casos podem ser operados por vídeo. A técnica mais adequada é definida em consulta, depois da avaliação e dos exames.
Quer entender o seu caso?
Agende uma consulta no Complexo Médico Provida, em Tubarão.
Ligar: (48) 3631-1515